Recorde de pedidos de recuperação judicial em 2016, aponta Serasa

O ano de 2017 mal começou e já trouxe uma alarmante notícia para os empreendedores: 2016 bateu recorde de pedidos de recuperação judicial. A pesquisa divulgada na última quinta-feira (12) pela Serasa Experian apresenta o pior resultado desde que o levantamento começou a ser feito em 2005, ano em que entrou em vigor a nova Lei de Falências.

Empresas dos setores de serviço, comércio e indústria ampliaram em 44.8% as solicitações de recuperação judicial, se comparadas com o ano anterior, totalizando 1.863 pedidos. Para se ter uma melhor ideia de quanto representam esses números, em 2015 foram registrados 1.287 pedidos e em 2014, 828.

O setor que apresentou maior crescimento foi o do comércio, que expôs um aumento de 51,2% no número de pedidos, seguido pelo setor de serviços que registrou ampliação de 48,5%. Já a indústria também evidenciou aumento, mas de forma um pouco mais moderada: 24,2%. As micro e pequenas empresas encabeçam o ranking da recuperação judicial: 1.134 pedidos. As médias e grandes empresas registraram 470 e 259 pedidos respectivamente.

Segundo o economista da Serasa Luiz Rabi, o cenário de recessão em que se encontra a economia brasileira afetou diretamente a entrada de capital no caixa das empresas. Aliado a esse fato, as empresam também encontraram crédito mais caro, o que dificulta bastante a renegociação e pagamento de dívidas. Ainda segundo Luiz Rabin, em 2016 havia cerca de R$ 119 bilhões mensais disponíveis para pessoas jurídicas. Tal valor é 15% menor que R$ 140 bilhões acessíveis em 2015.

A pesquisa também revelou um crescimento no número de pedidos de falência. Foram registrados 1.852 pedidos. Um aumento de 3,9% em comparação a 2015. O setor de serviços é quem mais decretou falência com 746 processos, seguido pela indústria, com 676 solicitações e o comércio, com 424 requerimentos.

Entenda a recuperação judicial

De acordo com a Lei nº 11.101 de 9 de fevereiro de 2005, a recuperação judicial representa uma medida que objetiva impedir a falência de uma empresa. Dessa forma ela poderá continuar a produzir seus bens ou serviços mantendo sua função social, além de garantir emprego aos trabalhadores e prezando os interesses dos credores.

O pedido dever ser feito diretamente a Justiça e, após a análise dos documentos e deferimento do juiz responsável, a empresa terá um prazo de 60 dias para apresentar um plano de recuperação. Após a criação do plano e nova análise do juiz, os credores terão um prazo de 180 dias para avaliar o plano. Em caso de aceite, a empresa entrará em processo de recuperação judicial e um administrador judicial será designado pela justiça para mediar a dinâmica entre empresa e credores. Caso não seja aprovado, será decretada a falência da empresa.

 

 

January 27, 2017

Posted In: Recentes